Rajat Paharia faz parte de uma nova espécie de consultor de negócios. Por uma remuneração mensal, ele promete revigorar sites bolorentos, transformando-os em videogames. Os visitantes tornam-se jogadores. Se executarem determinadas tarefas, como comentar artigos publicados ou enviar links por e-mail a amigos, eles ganham pontos ou condecorações. A empresa de Paharia, a iniciante Bunchball, de San José, já promoveu mais de 50 reformas on-line - para NBC, Playboy e outros grandes sites. "Nossos clientes não querem ser desenvolvedores de jogos", diz Paharia, de 40 anos de idade. "Eles só querem mais visitantes em suas páginas."
Os desenvolvedores de videogames passaram as últimas décadas aperfeiçoando a arte de tornar seus produtos viciantes. Agora, as empresas tradicionais estão criando um público fiel para seus sites usando as denominadas técnicas de "gameficação". Táticas como o uso de placares de liderança, que incentivam os usuários a competir uns contra os outros em disputas por pontos, estão se tornando comuns em toda a web. "Estamos no meio de uma corrida armamentista de diversão", diz o empresário Gabe Zichermann. Depois de organizar, em San Francisco, a primeiro Cúpula de "Gameficação", ele está desenvolvendo um curso de certificação para especialistas em "gameficação" e escrevendo um livro sobre o assunto.
Consultorias de jogos como a Bunchball e a Badgeville chegam a cobrar até US$ 10 mil por mês de clientes para incluir em seus sites elementos típicos de jogos. As receitas do setor chegarão a US$ 1,6 bilhão até 2015, contra menos de US$ 100 milhões no ano passado, estima a M2 Research, uma companhia de pesquisa especializada em tecnologia e jogos e tecnologia de Encinitas, na Califórnia.
Os negócios para tornar o cliente mais fiel no mundo on-line a partir de técnicas de jogos estão, rapidamente, se tornando tão importantes quanto as atividades para aumentar essa fidelidade no mundo real, uma indústria apoiada na criação de programas de recompensas para companhias aéreas, hotéis e cartões de crédito. A diferença é que os prêmios reais, como estadias em hotéis e passagens aéreas gratuitas, custam dinheiro de verdade às empresas. Condecorações e classificações por pontuação, excluída a remuneração a consultores como Paharia, custam quase nada.
É um truque bem sacado, caso dure. "As pessoas movem-se segundo uma mentalidade de rebanho", diz Tim Chang, sócio da Norwest Ventures, uma empresa de capital de risco. "A reação adversa virá de gente que vai tentar encaixar [elementos de jogos em um site] sem qualquer entendimento de como integrá-los sob uma experiência completa".
Quando a coisa é bem feita, os jogos exercem uma forte influência psicológica sobre os consumidores, diz Amy Jo Kim, uma designer de jogos que participou da elaboração de sucessos como o game "Rock Band", depois de receber um PhD em neurociência comportamental. "O que os jogos fazem é ajudá-lo a idealizar histórias sobre si mesmo", diz ela. Ganhar pontos ou alcançar novos níveis cria a ilusão de progresso e assemelha-se a "criar, para as pessoas, narrativas sobre o aperfeiçoamento e o fortalecimento delas própria", afirma ela.
Status social é outro motivador. "Temos essa tendência de nos preocupar com a imagem que projetamos", diz Dan Ariely, professor de economia comportamental na Universidade Duke. Na vida real, há mansões e bolsas. "No mundo dos games", diz Ariely, "existem as condecorações".
As técnicas por trás da "gameficação" são conhecidas no setor como "mecânica dos jogos", e estão por toda parte. Relógios de contagem regressiva no site da Gilt Groupe, uma loja on-line de descontos de artigos de luxo, estimulam os clientes a comprar antes que o tempo acabe. Emblemas coloridos virtuais, como os exibidos no Foursquare - um aplicativo para smartphones que permite às pessoas fazerem seu "check in" em diversos ambientes - recompensa o uso frequente de um site ou serviço. Quando os membros entram no LinkedIn, a rede social destinada a contatos profissionais, eles são expostos a uma barra de progresso que sutilmente os exorta a acrescentar mais detalhes a seus perfis.
No Bunchball, 28 funcionários aperfeiçoam moedas fictícias, avatares (personificações gráficas de pessoas de verdade) atraentes e outros elementos necessários para "gameficar" os sites. Em abril do ano passado, Paharia reuniu-se com o pessoal da Campusfood.com, site de encomenda de refeições em Nova York que queria ampliar a probabilidade de um consumidor de primeira viagem retornar ao site. Paharia desenvolveu um recurso que premia o retorno de clientes com distintivos como o "Raw Deal" (10 pedidos de sushi em um mês) e "Beta Taster" (uma das primeiras 50 pessoas a escolher um prato de um novo menu). Após ter incorporado pontos e condecorações ao Campusfood.com, o número de novos usuários que retornam duas ou mais vezes registrou alta de 15% a 20%, diz Michael Saunders, fundador do site.
O Moxsie, um site que vende roupas de estilistas independentes, usa a mecânica de jogos para incentivar a resposta dos clientes. A loja atribui condecorações virtuais - como "comprador sênior" ou "guru" - aos usuários que ajudarem os compradores da empresa de vestuário a decidir quais itens manter em estoque. Criado por consultores da Badgeville, o sistema de pontuação ajuda a "aproveitar a nossa comunidade para nos assegurarmos de que recebemos as informações de tendências da base de usuários", diz Jon Fahrner, empresário que lançou o Moxsie, sediado em Palo Alto, na Califórnia, em 2009.
A prática da "gameficação" está repercutindo também nas atividades para aumentar a fidelidade do cliente no mundo real. Barry Kirk, diretor de consultoria estratégica da Maritz, especializada na área, gerencia programas para o Bank of America e a Capital One, de cartões de crédito e serviços financeiros, entre outras marcas. Um de seus clientes, a marca Embassy Suites, do Hilton, testa um jogo on-line destinado a incentivar os clientes a experimentarem novos hotéis. "Os criadores de jogos desenvolveram estratégias incrivelmente persuasivas", diz Kirk. "Por que não adotaríamos tais abordagens?" (Tradução de Sergio Blum)
Fonte: Valor
Mostrando postagens com marcador Click Jogos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Click Jogos. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Os campeões de audiência
Saiba quem são os jovens empreendedores por trás do Baixaki, Vagalume e Click Jogos, negócios que arrastam multidões online. E por que os grandes portais de internet brigam para hospedá-los
Por Bruno Galo
Foi em dezembro do ano passado que Paulo Castro, presidente do portal de internet Terra, voou até Curitiba, no Paraná, para se encontrar com Guilherme “Gui” Barthel, o fundador do site de downloads Baixaki.
Lá, apertou a mão do jovem curitibano, que tem medo de viajar de avião, e selou a transferência do conteúdo que ficava hospedado no rival iG, que pertence a Oi, para o Terra, da Telefônica.
Lá, apertou a mão do jovem curitibano, que tem medo de viajar de avião, e selou a transferência do conteúdo que ficava hospedado no rival iG, que pertence a Oi, para o Terra, da Telefônica.
"Queríamos expandir para a América Latina e o Terra nos permitiu isso"
Guilherme Barthel, fundador do Baixaki
Esse lance, aparentemente sem muita importância, provocou uma reviravolta no mercado brasileiro. O iG, até então o terceiro maior portal da internet local, caiu para o quinto lugar em audiência, sendo ultrapassado pelo próprio Terra e pela Globo.com. Foi um tombo e tanto.
O Baixaki, que deixou os seus domínios, era (e ainda é) dono de uma audiência de 12 milhões de internautas, o que o colocava na categoria de principal “puxador” de usuários para o site da Oi. “Queríamos expandir pela América Latina e o Terra (que atua em vários países nessa região) poderia nos permitir isso”, disse Barthel à DINHEIRO.
Essa briga silenciosa movimenta os bastidores dos grandes portais de internet brasileira. Terra, iG e UOL são os principais protagonistas dessa disputa. Eles contam com uma lista de parceiros cujo objetivo é melhorar o seu desempenho entre as empresas que medem a audiência da web local, como o Ibope Nielsen Online e a comScore. Esses rankings são usados por grandes agências de publicidade no Brasil e balizam a decisão de grandes clientes na hora de investir na publicidade online. Quanto maior a audiência, maior a chance de receber uma verba maior dos anunciantes.
“Vejo a disputa entre os grandes portais por novos parceiros como bastante saudável para o mercado de internet brasileiro”, avalia Alex Banks, vice-presidente para a América Latina da consultoria comScore.
Sobe o som: Ana Letícia e Daniel Lafraia, do site de música Vagalume, que saiu do UOL e foi para o iG.
"Trocamos um grande parceiro por uma grande parceria"
A mudança do Baixaki provocou uma grande disputa por esses campeões de audiência. Em geral, são sites que atuam na área de downloads, jogos ou músicas. Com uma grande quantidade de internautas, que chegam até eles por meio de buscas no Google, acabam conquistando um grande poder de barganha na hora de negociar com os grandes portais de internet brasileiros.
Por esse motivo, tê-los debaixo de seus domínios chega a ser estratégico. A reação do iG veio na mesma moeda. A companhia “roubou” o Vagalume, que reúne músicas, letras e jogos, e o SuperDownloads, segundo maior site para baixar programas do Brasil, dois dos principais parceiros do UOL, com audiência conjunta de aproximadamente 8 milhões de internautas.
“Trocamos um grande parceiro por uma grande parceria”, afirma Daniel Lafraia, 32 anos, fundador do Vagalume. O UOL, sem ambos, apoia-se, atualmente, no Click Jogos, que reúne mais de 5 mil joguinhos e conta com 6 milhões de visitantes únicos. O Terra ainda conta com o Letras de Música, que tem uma audiência de 9,6 milhões de pessoas.
Os donos desses campeões de audiência têm histórias semelhantes. São jovens empreendedores que muito cedo desenvolveram um site por diletantismo. Com o crescimento da audiência, conseguiram parcerias com grandes portais.
Os acordos ajudaram a dar mais visibilidade e seriedade ao negócio, abrindo muitas portas. Com isso, eles começaram a ganhar dinheiro com publicidade, a principal fonte de renda desses pequenos empreendimentos digitais.
O Vagalume, por exemplo, nasceu em 2002 como um hobby de Daniel Lafraia e Ana Letícia Torres, casal que à época morava em Atlanta, nos Estados Unidos. Só com a ida para o UOL, em 2004, eles começaram a ganhar dinheiro com o site.
O Click Jogos foi criado por André Diegues quando tinha 16 anos (atualmente ele está com 22). Só agora, com o dinheiro que vem da publicidade, Diegues abandonou o esquema home office improvisado para abrir escritório, que conta com seis funcionários.
O Baixaki segue roteiro semelhante. Barthel, o fundador do site, manteve a operação de 1999 a 2003 sem ganhar um único centavo. O primeiro dinheiro chegou por intermédio de uma parceria com o site de leilões MercadoLivre, apenas em 2003.
A partir daí, decidiu abandonar o trabalho e a faculdade de ciências da computação para se dedicar ao Baixaki. Hoje, a venda de publicidade e os acordos de licenciamento (como o feito com o Terra) geram receitas da ordem de R$ 20 milhões.
Com 85 funcionários, ele criou a empresa No Zebra Network, composta por sete sites, entre eles o Tudo Gostoso, de conteúdo culinário, hospedado no UOL. Em 2007, Barthel recebeu uma proposta de R$ 40 milhões para vender o Baixaki. Não aceitou. “A exigência era que eu não abrisse outro site nunca mais”, alegou. “Sinto prazer no que faço.” Ele quer continuar criando novos campeões de audiência.
Fonte: IstoéDinheiro
Por Bruno Galo
Foi em dezembro do ano passado que Paulo Castro, presidente do portal de internet Terra, voou até Curitiba, no Paraná, para se encontrar com Guilherme “Gui” Barthel, o fundador do site de downloads Baixaki.
Lá, apertou a mão do jovem curitibano, que tem medo de viajar de avião, e selou a transferência do conteúdo que ficava hospedado no rival iG, que pertence a Oi, para o Terra, da Telefônica.
Lá, apertou a mão do jovem curitibano, que tem medo de viajar de avião, e selou a transferência do conteúdo que ficava hospedado no rival iG, que pertence a Oi, para o Terra, da Telefônica.
"Queríamos expandir para a América Latina e o Terra nos permitiu isso"
Guilherme Barthel, fundador do Baixaki
Esse lance, aparentemente sem muita importância, provocou uma reviravolta no mercado brasileiro. O iG, até então o terceiro maior portal da internet local, caiu para o quinto lugar em audiência, sendo ultrapassado pelo próprio Terra e pela Globo.com. Foi um tombo e tanto.
O Baixaki, que deixou os seus domínios, era (e ainda é) dono de uma audiência de 12 milhões de internautas, o que o colocava na categoria de principal “puxador” de usuários para o site da Oi. “Queríamos expandir pela América Latina e o Terra (que atua em vários países nessa região) poderia nos permitir isso”, disse Barthel à DINHEIRO.
Essa briga silenciosa movimenta os bastidores dos grandes portais de internet brasileira. Terra, iG e UOL são os principais protagonistas dessa disputa. Eles contam com uma lista de parceiros cujo objetivo é melhorar o seu desempenho entre as empresas que medem a audiência da web local, como o Ibope Nielsen Online e a comScore. Esses rankings são usados por grandes agências de publicidade no Brasil e balizam a decisão de grandes clientes na hora de investir na publicidade online. Quanto maior a audiência, maior a chance de receber uma verba maior dos anunciantes.
“Vejo a disputa entre os grandes portais por novos parceiros como bastante saudável para o mercado de internet brasileiro”, avalia Alex Banks, vice-presidente para a América Latina da consultoria comScore.
Sobe o som: Ana Letícia e Daniel Lafraia, do site de música Vagalume, que saiu do UOL e foi para o iG.
"Trocamos um grande parceiro por uma grande parceria"
A mudança do Baixaki provocou uma grande disputa por esses campeões de audiência. Em geral, são sites que atuam na área de downloads, jogos ou músicas. Com uma grande quantidade de internautas, que chegam até eles por meio de buscas no Google, acabam conquistando um grande poder de barganha na hora de negociar com os grandes portais de internet brasileiros.
Por esse motivo, tê-los debaixo de seus domínios chega a ser estratégico. A reação do iG veio na mesma moeda. A companhia “roubou” o Vagalume, que reúne músicas, letras e jogos, e o SuperDownloads, segundo maior site para baixar programas do Brasil, dois dos principais parceiros do UOL, com audiência conjunta de aproximadamente 8 milhões de internautas.
“Trocamos um grande parceiro por uma grande parceria”, afirma Daniel Lafraia, 32 anos, fundador do Vagalume. O UOL, sem ambos, apoia-se, atualmente, no Click Jogos, que reúne mais de 5 mil joguinhos e conta com 6 milhões de visitantes únicos. O Terra ainda conta com o Letras de Música, que tem uma audiência de 9,6 milhões de pessoas.
Os donos desses campeões de audiência têm histórias semelhantes. São jovens empreendedores que muito cedo desenvolveram um site por diletantismo. Com o crescimento da audiência, conseguiram parcerias com grandes portais.
Os acordos ajudaram a dar mais visibilidade e seriedade ao negócio, abrindo muitas portas. Com isso, eles começaram a ganhar dinheiro com publicidade, a principal fonte de renda desses pequenos empreendimentos digitais.
O Vagalume, por exemplo, nasceu em 2002 como um hobby de Daniel Lafraia e Ana Letícia Torres, casal que à época morava em Atlanta, nos Estados Unidos. Só com a ida para o UOL, em 2004, eles começaram a ganhar dinheiro com o site.
O Click Jogos foi criado por André Diegues quando tinha 16 anos (atualmente ele está com 22). Só agora, com o dinheiro que vem da publicidade, Diegues abandonou o esquema home office improvisado para abrir escritório, que conta com seis funcionários.
O Baixaki segue roteiro semelhante. Barthel, o fundador do site, manteve a operação de 1999 a 2003 sem ganhar um único centavo. O primeiro dinheiro chegou por intermédio de uma parceria com o site de leilões MercadoLivre, apenas em 2003.
A partir daí, decidiu abandonar o trabalho e a faculdade de ciências da computação para se dedicar ao Baixaki. Hoje, a venda de publicidade e os acordos de licenciamento (como o feito com o Terra) geram receitas da ordem de R$ 20 milhões.
Com 85 funcionários, ele criou a empresa No Zebra Network, composta por sete sites, entre eles o Tudo Gostoso, de conteúdo culinário, hospedado no UOL. Em 2007, Barthel recebeu uma proposta de R$ 40 milhões para vender o Baixaki. Não aceitou. “A exigência era que eu não abrisse outro site nunca mais”, alegou. “Sinto prazer no que faço.” Ele quer continuar criando novos campeões de audiência.
Fonte: IstoéDinheiro
Marcadores:
Baixaki,
Click Jogos,
Empreendedor,
Vagalume
Assinar:
Postagens (Atom)
