SÃO PAULO (Reuters) - O grupo de private equity Silver Lake está chegando à América Latina com a compra de uma participação minoritária da Locaweb, empresa brasileira de hospedagem de sites e "cloud computing", de olho na expansão acelerada da Internet no Brasil.
Detalhes financeiros da transação, bem como a fatia comprada da Locaweb, não foram relevados. A Silver Lake, sediada nos Estados Unidos, diz ser a maior investidora global de private equity em companhias de tecnologia da informação, com cerca de 14 bilhões de dólares alocados em gigantes de tecnologia incluindo Skype, Nasdaq OMX e Avaya.
A operação no Brasil, anunciada neste domingo, foi realizada por meio da Silver Lake Sumeru, braço de investimentos em empresas de médio porte.
O investimento na Locaweb foi visto pela Silver Lake como o melhor veículo para aproveitar-se da expansão da Internet no Brasil, quinto maior mercado do setor no mundo e onde o número de endereços de páginas na Web cresce cerca de 27 por cento ao ano.
A aposta é que o mercado nacional evolua rapidamente nos próximos anos até atingir a média internacional. Hoje, há um site para cada 30 habitantes. Na Alemanha, a média é de um domínio de Internet para cada 2,5 cidadãos.
"Vemos grandes possibilidades de ganhos de escala", disse à Reuters o diretor-gerente da Silver Lake Sumeru, Kyle Ryland.
Segundo o executivo, novas oportunidades no mercado brasileiro de tecnologia da informação já estão sendo avaliadas e podem ser anunciadas em breve. "Estamos certamente olhando para outras oportunidades no país."
Para a Locaweb, o aporte servirá para elevar os investimentos em seu segundo data center, inaugurado no ano passado, e ampliar a oferta do chamado "cloud computing" (computação nas nuvens), sistema em que programas de computador e arquivos são armazenados na Internet.
"É uma poderosa ferramenta para oferecer mais serviços para empresas", disse o fundador e presidente-executivo da Locaweb, Gilberto Mautner.
Criada em 1998, a Locaweb vem crescendo a receita num passo de 35 a 40 por cento ao ano. Em 2009, quando faturou 131 milhões de reais, a companhia estreou no exterior, com a inauguração de um centro técnico em Miami, nos EUA, e outro de serviços de suporte em Montevidéu, no Uruguai.
Com o aporte da Silver Lake, a Locaweb quer consolidar a liderança que a empresa possui --atualmente, a companhia hospeda um de cada quatro sites com final ".br" --organicamente e, agora, também via aquisições.
Com o negócio mais encorpado, Mautner já avista o horizonte em que a companhia chegará ao mercado de capitais com uma oferta de ações. Na realidade, seria a retomada de um processo de 2007, quando a Locaweb, que já é uma Sociedade Anômina, pediu registro para sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Porém, a empresa voltou atrás diante das seguidas idas e vindas dos mercados financeiros globais.
"Se as condições de mercado permitirem, sim, está no radar", disse o presidente-executivo da Locaweb.
Fonte: Reuters
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Computação em nuvem' estimula investimento em centros de dados
As pessoas em geral podem nunca ter ouvido a expressão, mas a chamada "computação em nuvem" tem sido um dos principais fatores recentes de impulso aos investimentos em tecnologia da informação (TI), principalmente na construção de centros de dados. Analistas garantem que não se trata de uma moda, mas de necessidades concretas de infraestrutura de tecnologia e telecomunicações que extrapolam as paredes das empresas.
Para disseminar a tendência, a Locaweb decidiu levar a "computação em nuvem" para o horário nobre da TV aberta. Com o ator Dan Stulbach como garoto-propaganda, a empresa convida o espectador a conhecer as vantagens do novo jeito de usar e comprar tecnologia. "É uma campanha educativa. Sentimos que muita gente tinha dúvida sobre o serviço", comenta Gilberto Mautner, executivo-chefe e fundador da Locaweb.
Paralelamente ao comercial de TV, a Locaweb ergueu um novo centro de dados desenhado especificamente para a oferta de recursos em nuvem. A estrutura, instalada próxima ao bairro do Morumbi, em São Paulo, consumiu investimentos de R$ 49,2 milhões. O esforço tem dado resultado, diz Mautner. Dois anos atrás não havia um contrato sequer na Locaweb baseado no conceito de "computação em nuvem". Hoje, somente com a oferta de infraestrutura (equipamentos) baseada nesse modelo, a companhia soma mais de 3 mil empresas. Na área de aplicativos - com o aluguel de sistemas de campanha de marketing por e-mail, por exemplo - são mais de 5 mil contratos. Para os próximos sete anos, a Locaweb reservou a cifra de R$ 111 milhões para expandir sua estrutura e atender a projetos baseados no conceito.
"Atualmente, 10% da receita do grupo já vem dessas iniciativas e o crescimento acontece numa velocidade incrível", diz Mautner. "Em pouco tempo, salvo raríssimas exceções, não haverá mais sentido em uma companhia optar pela compra de estrutura, em vez de contratá-la de um terceiro."
Para Sidney Breyer, presidente da Alog Data Center, a "computação em nuvem" já começou a mudar a cara do mercado. "Vemos que as novas formas de prestação de serviços de TI estão envolvendo todas as empresas e isso não é modismo, veio para ficar."
Há apenas duas semanas, a Alog passou a divulgar as operações da Tecla, unidade de negócios que foi reposicionada para oferecer, exclusivamente, serviços de TI compartilhados em nuvem. Por meio da internet, o usuário pode contratar um servidor (computador de grande porte), por exemplo, e configurá-lo virtualmente. "Em apenas 15 dias já temos 500 máquinas virtuais instaladas", diz Breyer.
A Alog, que atualmente tem dois centros de dados - um em São Paulo e outro no Rio - vai montar uma terceira estrutura em Barueri (SP). O projeto tem investimento previsto de R$ 30 milhões nos primeiros 18 meses e mais 30 milhões no cinco anos seguintes.
Além de um centro de dados no bairro do Itaim, em São Paulo, a Diveo projeta investimentos de R$ 40 milhões para expandir a capacidade de suas instalações em Barueri. O centro de dados vai ganhar mais 600 metros quadrados e expandir a capacidade de armazenamento para mil terabytes. A oferta de "computação em nuvem" é um dos serviços do portfólio da empresa, que também inclui terceirização de TI, armazenamento e comunicação de dados e software como serviço. Entre os parceiros estão Microsoft, Oracle, SAP, YKP e Softtek. "Estamos avaliando oportunidades de aquisições para expandir nossos serviços", diz Marco Américo D. Antonio, gerente-geral da Diveo do Brasil.
A realidade de todas essas empresas de TI, diz o consultor Pedro Bicudo, sócio-diretor da TGT Consult, é resultado de uma ruptura na forma de se usar a tecnologia. "Hoje, uma empresa pequena pode, por meio da nuvem, ter acesso a equipamentos e sistemas complexos que nunca teria se tivesse de adquiri-los", afirma. "O caminho é irreversível. Pode ter certeza de que há diretor de tecnologia por aí preocupado com o que vai fazer com a estrutura própria que sua empresa comprou."
Fonte: Valor Online
Para disseminar a tendência, a Locaweb decidiu levar a "computação em nuvem" para o horário nobre da TV aberta. Com o ator Dan Stulbach como garoto-propaganda, a empresa convida o espectador a conhecer as vantagens do novo jeito de usar e comprar tecnologia. "É uma campanha educativa. Sentimos que muita gente tinha dúvida sobre o serviço", comenta Gilberto Mautner, executivo-chefe e fundador da Locaweb.
Paralelamente ao comercial de TV, a Locaweb ergueu um novo centro de dados desenhado especificamente para a oferta de recursos em nuvem. A estrutura, instalada próxima ao bairro do Morumbi, em São Paulo, consumiu investimentos de R$ 49,2 milhões. O esforço tem dado resultado, diz Mautner. Dois anos atrás não havia um contrato sequer na Locaweb baseado no conceito de "computação em nuvem". Hoje, somente com a oferta de infraestrutura (equipamentos) baseada nesse modelo, a companhia soma mais de 3 mil empresas. Na área de aplicativos - com o aluguel de sistemas de campanha de marketing por e-mail, por exemplo - são mais de 5 mil contratos. Para os próximos sete anos, a Locaweb reservou a cifra de R$ 111 milhões para expandir sua estrutura e atender a projetos baseados no conceito.
"Atualmente, 10% da receita do grupo já vem dessas iniciativas e o crescimento acontece numa velocidade incrível", diz Mautner. "Em pouco tempo, salvo raríssimas exceções, não haverá mais sentido em uma companhia optar pela compra de estrutura, em vez de contratá-la de um terceiro."
Para Sidney Breyer, presidente da Alog Data Center, a "computação em nuvem" já começou a mudar a cara do mercado. "Vemos que as novas formas de prestação de serviços de TI estão envolvendo todas as empresas e isso não é modismo, veio para ficar."
Há apenas duas semanas, a Alog passou a divulgar as operações da Tecla, unidade de negócios que foi reposicionada para oferecer, exclusivamente, serviços de TI compartilhados em nuvem. Por meio da internet, o usuário pode contratar um servidor (computador de grande porte), por exemplo, e configurá-lo virtualmente. "Em apenas 15 dias já temos 500 máquinas virtuais instaladas", diz Breyer.
A Alog, que atualmente tem dois centros de dados - um em São Paulo e outro no Rio - vai montar uma terceira estrutura em Barueri (SP). O projeto tem investimento previsto de R$ 30 milhões nos primeiros 18 meses e mais 30 milhões no cinco anos seguintes.
Além de um centro de dados no bairro do Itaim, em São Paulo, a Diveo projeta investimentos de R$ 40 milhões para expandir a capacidade de suas instalações em Barueri. O centro de dados vai ganhar mais 600 metros quadrados e expandir a capacidade de armazenamento para mil terabytes. A oferta de "computação em nuvem" é um dos serviços do portfólio da empresa, que também inclui terceirização de TI, armazenamento e comunicação de dados e software como serviço. Entre os parceiros estão Microsoft, Oracle, SAP, YKP e Softtek. "Estamos avaliando oportunidades de aquisições para expandir nossos serviços", diz Marco Américo D. Antonio, gerente-geral da Diveo do Brasil.
A realidade de todas essas empresas de TI, diz o consultor Pedro Bicudo, sócio-diretor da TGT Consult, é resultado de uma ruptura na forma de se usar a tecnologia. "Hoje, uma empresa pequena pode, por meio da nuvem, ter acesso a equipamentos e sistemas complexos que nunca teria se tivesse de adquiri-los", afirma. "O caminho é irreversível. Pode ter certeza de que há diretor de tecnologia por aí preocupado com o que vai fazer com a estrutura própria que sua empresa comprou."
Fonte: Valor Online
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
Gol contra no Twitter

O caso da Locaweb expõe os riscos das empresas que não têm política e uma estratégia para as redes sociais
Por Ralphe Manzoni Jr.
Se fosse um vídeo, poderia ser comparado a uma videocassetada. Um programa de tevê, a um quadro dos “Trapalhões”. Mas foi uma cena da vida real na internet. No domingo 28, o diretor comercial da empresa de hospedagem de sites de internet Locaweb, Alex Glikas, usou o Twitter para fazer um ato tão habitual aos brasileiros: comemorar a vitória do seu time “zoando” com os amigos.
Animado com a vitória do seu Corinthians sobre o São Paulo por 4 X 3, Glikas usou palavrões para provocar os torcedores adversários. Por si só, trata-se de uma atitude de gosto duvidoso. Mas um detalhe tornou a situação ainda mais bizarra: a Locaweb, da qual Glikas é diretor, havia desembolsado R$ 600 mil para estampar sua marca nas mangas da camisa do São Paulo, o alvo das brincadeiras de seu funcionário. Resultado: na terça 30, Glikas foi demitido.
Em apenas dois dias, foram publicados no serviço de microblog 3,5 mil mensagens sobre o caso. Elas atingiram 1,7 milhão de pessoas, de acordo com levantamento exclusivo realizado para DINHEIRO pela consultoria de mídias sociais e.Life. “Este é um caso exemplar de como não cuidar de seus canais na rede social”, afirma Alessandro Lima, CEO da e.Life.
É verdade. A começar pela confusão entre a figura do torcedor e do diretor. Apesar de Glikas usar sua conta pessoal no serviço de microblog, ele, em todas as suas mensagens, fazia referência à Locaweb. Além disso, a empresa em que trabalhava não tinha nenhuma política orientando os funcionários sobre como se comportar nas redes sociais. Só agora começa a pensar no assunto.
A presença nas mídias sociais, como o Twitter, blogs, YouTube e Orkut, é vital para as empresas se relacionarem com os consumidores, principalmente os mais jovens. De acordo com dados do Ibope Nielsen Online, 86% das pessoas que acessam a internet no Brasil navegam pelas comunidades online. A trapalhada da Locaweb é mais uma lição para quem quer se aventurar neste novo mundo: se “tuitar”, não torça.
Fonte: IstoéDinheiro
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