terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Intel começa a fornecer chips para urnas eletrônicas
A Intel sempre ocupou posição de liderança no mercado brasileiro de chips, impulsionada pela venda dos micros de mesa e notebooks. Aos poucos, no entanto, a companhia tem ampliado as operações para além da fronteira dos tradicionais PCs. A Intel não fabrica equipamentos, seu negócio é fazer o processador, componente básico que funciona como o cérebro de cada produto. É exatamente esse o seu trunfo. "Tudo aquilo que é digital e que de alguma está conectado à internet pode receber nossa arquitetura", diz Tom Kilroy. O executivo, que visitou o país na última semana, concedeu entrevista exclusiva ao Valor. "Nossa área de negócios que não envolve os PCs tradicionais, mas sim processadores embarcados em diversos produtos, parece algo que mantemos em segredo, mas na realidade é um mercado enorme para nós."
A Intel acaba de vencer dois contratos no Brasil que vão pesar ainda mais nessa balança. Pela primeira vez, a companhia será a fornecedora dos chips utilizados nas urnas eletrônicas. O contrato do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vencido pela fabricante de equipamentos Diebold, prevê o fornecimento de até 250 mil urnas. O primeiro pedido do TSE, para a produção de 165 mil urnas, já feito feito e está avaliado em R$ 204 milhões. Ao entrar nas urnas, a Intel conseguiu tirar da jogada a rival AMD, que sempre forneceu os chips para a Diebold.
Outro plano da Intel para a área de educação começou a ganhar forma. Em dezembro, a fabricante brasileira de eletroeletrônicos CCE foi escolhida pelo Ministério da Educação (MEC) para fornecer 150 mil laptops educacionais. O chamado "Classmate" será distribuído em 300 escolas públicas do país, para um teste sobre o uso de tecnologia na sala de aula. Dentro do Classmate, há um processador Intel instalado.
De chip em chip, a Intel enche o cofre. O contrato da CCE firmado com o MEC é de R$ 82,5 milhões, o que significa que cada equipamento comprado pelo governo custou R$ 550. A Intel não revela o valor total do que lucrou com esse projeto, mas informa que cada chip usado no Classmate custa hoje US$ 44 a unidade (para o lote de mil componentes). Numa conta simples, chega-se ao montante de U$ 6,6 milhões.
Em recente entrevista ao Valor, o gerente de negócios e ecossistemas para tecnologias educacionais da Intel, Alan Markham, disse que, em março, fabricantes de PCs ligados à Intel vão colocar o Classmate nas prateleiras do varejo. Paralelamente, a companhia acompanha de perto os movimentos dos governos federal e estadual. Durante sua visita ao Brasil, Tom Kilroy inclui um encontro com o ex-ministro e atual secretário de Educação de São Paulo, Paulo Renato. "Conversamos sobre uma série de projetos", comenta Kilroy.
No núcleo de produtos como as urnas eletrônicas e os laptops escolares está a aposta da Intel em um processador batizado de "Atom". Criado para rodar em equipamentos que não exijam alto desempenho, o Atom tem sido usado pela empresa para entrar em uma infinidade de produtos. "Além do mercado de netbooks (laptops de tamanho inferior a 10 polegadas), temos levado esse processador a quiosques de aeroportos, câmeras digitais de segurança e dispositivos de assinatura digital", comenta Kilroy. "O Brasil também tem muito espaço para a instalação desse chips em veículos, caixas de autoatendimento e TV digital."
Tudo isso não significa que a Intel vá se descuidar dos tradicionais PCs. Enquanto emplaca o "Atom" em produtos mais simples, a Intel se defende entre os processadores mais sofisticados. Na semana passada, a empresa aproveitou o evento Campus Party, realizado em São Paulo, para lançar a nova família dos processadores "Core". O componente, produzido com o processo de manufatura de 32 nanômetros, tem menor consumo de energia.
As previsões da Intel indicam que o Brasil será o terceiro maior mercado de computadores do mundo até o fim deste ano, ultrapassando Japão e Alemanha e ficando atrás apenas de Estados Unidos e China. O país, diz Kilroy, tem sido o contrapeso da lentidão que alguns países ainda enfrentam na economia. No ano passado, o mercado global de processadores caiu 9%, movimentando US$ 226,3 bilhões, segundo a Semiconductor Industry Association.
Para este ano, a estimativa da empresa de pesquisas Gartner é de que o setor cresça 13%, com vendas de US$ 255 bilhões, e retorne ao volume de 2008. "O Brasil é um dos países em desenvolvimento onde temos conseguido nossos melhores resultados", afirma o vice-presidente da Intel. "Em alguns cenários, o país já ganhou status de um mercado maduro."
Fonte: Valor Online
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Ganhos com day-trade não serão taxados com IOF
A cobrança de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que passou a vigorar nesta terça-feira (20/10) na Bovespa, não deve afetar as operações de day-trade. Nesse tipo de operação, em que o investidor compra e vende as ações no mesmo dia, obtendo lucro com a diferença entre o preço de compra e o de venda, não é necessária a entrada de novos recursos no país. Portanto, o investidor estrangeiro que realizar esse tipo de operação não será taxado, uma vez que o IOF será cobrado apenas quando o dinheiro entrar no Brasil - e não sobre o lucro das operações.
16:29 | Fluxo compensa ajuste externo, e dólar fecha estável
16:11 | Petrobras e YPF vencem licitação para explorar blocos no Uruguai
16:00 | Microsoft aposta no Windows 7 para recuperar receita
15:42 | BNDES deve emprestar até R$130 bi no ano, diz Coutinho
15:38 | Troca por ações da Gafisa é negativa para acionistas da Tenda, diz Brascan
Em relatório, a Link Investimento explica que, além do day-trade, os investidores estrangeiros terão outros caminhos para evitar o pagamento do imposto. Um deles seria comprar American Depositary Receipts (ADRs - papéis que representam ações de empresas brasileiras na Bolsa de Nova York), cancelá-las e receber as ações da empresa. Essas ações seriam vendidas na Bovespa e o dinheiro da venda não seria taxado, podendo ser utilizado na compra de outras ações.
Para a Link, a decisão do governo de taxar o capital estrangeiro será muito negativa para o mercado de capitais brasileiro, que ainda está em fase de desenvolvimento. "Acreditamos que no curto prazo devemos sim observar uma queda nos volumes negociados na bolsa, principalmente com a migração para ADRs. No entanto, no médio prazo, os volumes devem se restabelecer, principalmente com a criação e o uso de alguns mecanismos que visam driblar essa medida", diz a corretora. "Isso gera uma nova preocupação, de o governo elevar novamente a cobrança do IOF, algo que também já fez no passado", ressalta.
O Brasil não é o primeiro país a taxar o capital estrangeiro em bolsa para conter uma possível bolha. Em maio de 2007, o governo chinês adotou medida semelhante, elevando o imposto cobrado dos investidores estrangeiros de 0,1% para 0,3%. O resultado foi uma queda de 6,5% na bolsa chinesa no dia seguinte à adoção da medida. Em abril de 2008, o governo voltou a reduzir o imposto a 0,1%, eliminando-o em setembro, com a crise global.
A BM&FBovespa já está em contato com o governo brasileiro para tentar reverter a medida, que em sua opinião, foi equivocada. Caso não obtenha sucesso, a bolsa estuda diferenciar o capital de curto prazo daquele de longo prazo, beneficiando estes.
A avaliação do mercado é de que os maiores prejudicados pela medida serão os investidores locais, que sofrerão com a possível queda de liquidez na bolsa, e as empresas que atuam no mercado de capitais.
Fonte: Portal Exame
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Governo taxa capital estrangeiro para segurar real, evitar bolha
SÃO PAULO (Reuters) - O governo decidiu taxar o capital estrangeiro que entrar no país para aplicações em renda fixa e ações com o objetivo de evitar uma valorização exagerada do real e a criação de uma bolha decorrente do excesso de liquidez internacional.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a medida informando a tributação, a partir de terça-feira, por meio de IOF com uma alíquota de 2 por cento.
Segundo Mantega, a taxação irá se dar de uma vez na entrada do capital. Desse modo, quanto mais tempo a aplicação durar, mais diluída será a tributação.
"O que determinou (a medida) por um lado foi o crescente interesse pelo Brasil, que é uma das economias que mais oferece possibilidade de rendimentos e, por outro lado, um excesso de liquidez na economia internacional, que poderia causar sobrevalorização do real... prejudicando o emprego no Brasil, prejudicando a produção", disse Mantega a jornalistas.
O ministro argumentou que 25 por cento da produção industrial do país é direcionada à exportação.
"Com o câmbio valorizado, vai exportar menos, vai perder concorrência, inclusive com outros concorrentes que nem usam as mesmas regras que nós", disse, citando que a China voltou a adotar um câmbio controlado.
Ele reforçou que o regime adotado no Brasil continua sendo flutuante, e que Banco Central seguirá "comprando o excesso de dólares".
"Podemos até pensar em outras medidas para atenuar algo que é quase inevitável, que é o interesse crescente que existe hoje pelo Brasil."
INVESTIMENTO DIRETO SEM TAXAÇÃO
No caso do investimento direto estrangeiro, "não muda nada, não há tributação adicional de IOF".
"Estamos mantendo o estímulo no investimento externo. São bem-vindos, continuarão a vir", afirmou o ministro, que disse ter convencido apenas nesta segunda-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade da medida.
"Estamos adotando (as medidas) para evitar que haja um excesso de especulação na bolsa ou no mercado de capitais em função da grande liquidez que existe hoje no mercado externo e forte atrativo que o Brasil exerce no mercado internacional."
Segundo Mantega, a taxação não visa melhorar a arrecadação, que tem demorado para se recuperar, apesar da retomada econômica.
"O IOF é um imposto regulatório, o objetivo não é a arrecadação, o objetivo é regular o fluxo de capital. Quando são excessivos você coloca um tributo para diminuir seu impacto."
Mantega ressaltou que as medidas não devem levar a uma desvalorização do real. "Mas podemos evitar um excesso de valorização."
Até agora neste ano, o real teve uma valorização de 36 por cento. Nesta segunda-feira, o câmbio encerrou com o dólar cotado a 1,712 real para venda.
"Nossa preocupação é com excesso de aplicações especulativas de curto prazo que venham a fazer uma bolha na nossa bolsa", explicou.
"A nossa bolsa de mercadorias e futuros é muito sadia, sólida... não queremos que isso seja deturpado pelo excesso de investimento, de aplicações que poderiam ocorrer."
No ano passado, o governo alterou duas vezes o IOF sobre investimentos estrangeiros em uma tentativa de interferir no fluxo de capitais para o país.
Em março, a taxação foi reintroduzida --dois anos após ter sido retirada-- para reduzir o ingresso de dólares no país e limitar a apreciação do real. Diante dessa decisão, os investimentos estrangeiros em renda fixa caíram cerca de 5 por cento no mês seguinte. Em outubro, em meio ao agravamento da crise financeira global e da alta do dólar, o governo voltou a retirar a taxação.
Para participantes dos mercados financeiros, a medida deve ter um efeito limitado, ainda que negativo no curto prazo.
"A médio prazo, a medida terá efeito limitado... não é com medidas administrativas que você muda uma tendência", disse à Reuters Roberto Padovani, economista-chefe do WestLB. "Mas isso cria um ruído de curto prazo: haverá menos confiança dos investidores na estabilidade das regras."
O ministro informou que não há um prazo determinado para a validade dessa taxação e que o governo vai acompanhar as reações do mercado e pode fazer ajustes se considerar necessário.
Fonte: Portal Exame
