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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Ganhos com day-trade não serão taxados com IOF

Investidores estrangeiros terão caminhos para evitar o pagamento do imposto
| 21.10.2009 | 12h07

A cobrança de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que passou a vigorar nesta terça-feira (20/10) na Bovespa, não deve afetar as operações de day-trade. Nesse tipo de operação, em que o investidor compra e vende as ações no mesmo dia, obtendo lucro com a diferença entre o preço de compra e o de venda, não é necessária a entrada de novos recursos no país. Portanto, o investidor estrangeiro que realizar esse tipo de operação não será taxado, uma vez que o IOF será cobrado apenas quando o dinheiro entrar no Brasil - e não sobre o lucro das operações.

Em relatório, a Link Investimento explica que, além do day-trade, os investidores estrangeiros terão outros caminhos para evitar o pagamento do imposto. Um deles seria comprar American Depositary Receipts (ADRs - papéis que representam ações de empresas brasileiras na Bolsa de Nova York), cancelá-las e receber as ações da empresa. Essas ações seriam vendidas na Bovespa e o dinheiro da venda não seria taxado, podendo ser utilizado na compra de outras ações.

Para a Link, a decisão do governo de taxar o capital estrangeiro será muito negativa para o mercado de capitais brasileiro, que ainda está em fase de desenvolvimento. "Acreditamos que no curto prazo devemos sim observar uma queda nos volumes negociados na bolsa, principalmente com a migração para ADRs. No entanto, no médio prazo, os volumes devem se restabelecer, principalmente com a criação e o uso de alguns mecanismos que visam driblar essa medida", diz a corretora. "Isso gera uma nova preocupação, de o governo elevar novamente a cobrança do IOF, algo que também já fez no passado", ressalta.


O Brasil não é o primeiro país a taxar o capital estrangeiro em bolsa para conter uma possível bolha. Em maio de 2007, o governo chinês adotou medida semelhante, elevando o imposto cobrado dos investidores estrangeiros de 0,1% para 0,3%. O resultado foi uma queda de 6,5% na bolsa chinesa no dia seguinte à adoção da medida. Em abril de 2008, o governo voltou a reduzir o imposto a 0,1%, eliminando-o em setembro, com a crise global.

A BM&FBovespa já está em contato com o governo brasileiro para tentar reverter a medida, que em sua opinião, foi equivocada. Caso não obtenha sucesso, a bolsa estuda diferenciar o capital de curto prazo daquele de longo prazo, beneficiando estes.

A avaliação do mercado é de que os maiores prejudicados pela medida serão os investidores locais, que sofrerão com a possível queda de liquidez na bolsa, e as empresas que atuam no mercado de capitais.

Fonte: Portal Exame

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Governo taxa capital estrangeiro para segurar real, evitar bolha

19 de Outubro de 2009 | 19:49

SÃO PAULO (Reuters) - O governo decidiu taxar o capital estrangeiro que entrar no país para aplicações em renda fixa e ações com o objetivo de evitar uma valorização exagerada do real e a criação de uma bolha decorrente do excesso de liquidez internacional.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a medida informando a tributação, a partir de terça-feira, por meio de IOF com uma alíquota de 2 por cento.

Segundo Mantega, a taxação irá se dar de uma vez na entrada do capital. Desse modo, quanto mais tempo a aplicação durar, mais diluída será a tributação.

"O que determinou (a medida) por um lado foi o crescente interesse pelo Brasil, que é uma das economias que mais oferece possibilidade de rendimentos e, por outro lado, um excesso de liquidez na economia internacional, que poderia causar sobrevalorização do real... prejudicando o emprego no Brasil, prejudicando a produção", disse Mantega a jornalistas.

O ministro argumentou que 25 por cento da produção industrial do país é direcionada à exportação.

"Com o câmbio valorizado, vai exportar menos, vai perder concorrência, inclusive com outros concorrentes que nem usam as mesmas regras que nós", disse, citando que a China voltou a adotar um câmbio controlado.

Ele reforçou que o regime adotado no Brasil continua sendo flutuante, e que Banco Central seguirá "comprando o excesso de dólares".

"Podemos até pensar em outras medidas para atenuar algo que é quase inevitável, que é o interesse crescente que existe hoje pelo Brasil."

INVESTIMENTO DIRETO SEM TAXAÇÃO

No caso do investimento direto estrangeiro, "não muda nada, não há tributação adicional de IOF".

"Estamos mantendo o estímulo no investimento externo. São bem-vindos, continuarão a vir", afirmou o ministro, que disse ter convencido apenas nesta segunda-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade da medida.

"Estamos adotando (as medidas) para evitar que haja um excesso de especulação na bolsa ou no mercado de capitais em função da grande liquidez que existe hoje no mercado externo e forte atrativo que o Brasil exerce no mercado internacional."

Segundo Mantega, a taxação não visa melhorar a arrecadação, que tem demorado para se recuperar, apesar da retomada econômica.

"O IOF é um imposto regulatório, o objetivo não é a arrecadação, o objetivo é regular o fluxo de capital. Quando são excessivos você coloca um tributo para diminuir seu impacto."

Mantega ressaltou que as medidas não devem levar a uma desvalorização do real. "Mas podemos evitar um excesso de valorização."

Até agora neste ano, o real teve uma valorização de 36 por cento. Nesta segunda-feira, o câmbio encerrou com o dólar cotado a 1,712 real para venda.

"Nossa preocupação é com excesso de aplicações especulativas de curto prazo que venham a fazer uma bolha na nossa bolsa", explicou.

"A nossa bolsa de mercadorias e futuros é muito sadia, sólida... não queremos que isso seja deturpado pelo excesso de investimento, de aplicações que poderiam ocorrer."

No ano passado, o governo alterou duas vezes o IOF sobre investimentos estrangeiros em uma tentativa de interferir no fluxo de capitais para o país.

Em março, a taxação foi reintroduzida --dois anos após ter sido retirada-- para reduzir o ingresso de dólares no país e limitar a apreciação do real. Diante dessa decisão, os investimentos estrangeiros em renda fixa caíram cerca de 5 por cento no mês seguinte. Em outubro, em meio ao agravamento da crise financeira global e da alta do dólar, o governo voltou a retirar a taxação.

Para participantes dos mercados financeiros, a medida deve ter um efeito limitado, ainda que negativo no curto prazo.

"A médio prazo, a medida terá efeito limitado... não é com medidas administrativas que você muda uma tendência", disse à Reuters Roberto Padovani, economista-chefe do WestLB. "Mas isso cria um ruído de curto prazo: haverá menos confiança dos investidores na estabilidade das regras."

O ministro informou que não há um prazo determinado para a validade dessa taxação e que o governo vai acompanhar as reações do mercado e pode fazer ajustes se considerar necessário.

Fonte: Portal Exame

Papéis da BMF Bovespa abrem com forte queda de 8% após adoção do IOF

Por: Rafael de Souza Ribeiro
20/10/09 - 11h35
InfoMoney

SÃO PAULO - As ações da BMF Bovespa (BVMF3) abriram a sessão desta terça-feira (20) em forte baixa de aproximadamente 8%, cotadas a R$ 12,40, após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciar a taxação de 2% do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre o capital estrangeiro em aplicações em renda fixae variável.

O decreto impõe IOF às liquidações de operações de câmbio para ingresso de recursos no Brasil, realizadas por investidor estrangeiro, para aplicação no mercado financeiro e de capitais.

Na visão dos analistas do Itaú, a medida é desfavorável para o mercado de ações brasileiro, já que os investidores estrangeiros diminuirão o volume transacionado na bolsa doméstica e começarão operar os ADRs (American Depositary Receipts) negociados em Nova York.

Com o menor volume transacionado, os analistas da Link acreditam que a medida impactará inicialmente os papéis da BM&F Bovespa, uma vez que sua principal fonte de receitas são as transações em bolsa.

Oferta de ações
Para a Link, as ofertas de ações poderão ser prejudicadas com uma menor demanda de estrangeiros. Os analistas aguardam que a BMF Bovespa tome medidas para minimizar os impactos negativos.

Fonte: Infomoney