O Brasil foi escolhido sede da Copa e das Olimpíadas após acirrada batalha com outros países. Também saiu na frente em outra competição que, embora menos badalada, deixará um legado até mais importante: a disputa para atrair superlaboratórios, centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que já mobilizam os sistemas educacional e de ciência e tecnologia do País.
Petrobrás/Divulgação
Ilha do Fundão. Área dos novos centros de P&D equivale a 8% da superfície do câmpus
Aproximar-se das universidades, formadoras da mão de obra para pesquisa, tem sido o caminho natural para empresas que apostaram no País. Só em 2010 foram anunciados investimentos da ordem de R$ 500 milhões no Parque Tecnológico da UFRJ, no Rio. É lá que Petrobrás e ao menos seis multinacionais estão instalando ou ampliando laboratórios. No Rio e em São Paulo, gigantes como IBM e DuPont já puseram em operação centros de ponta. E a Vale está criando polos tecnológicos em três Estados.
Nesses centros vão trabalhar profissionais que antes tinham como opção fazer ciência fora do País, como Bruno Betoni, de 33 anos, único brasileiro no Centro de Pesquisas Global da General Electric, na Alemanha. “Será uma grande oportunidade em termos acadêmicos e de negócios.”
Para quem pretende trabalhar nos superlaboratórios, Betoni adverte que a pesquisa em empresas tem um ritmo diferente e é preciso se preparar desde o início da formação. “No dia a dia, uso coisas que aprendi na formação básica, que muitos têm por inútil. Meu ferramental vai do primeiro ano da graduação até o fim do doutorado.”
Analistas atribuem a vinda dos superlaboratórios ao cenário de estabilidade do Brasil. Outros atrativos são o início da exploração de petróleo no pré-sal e os sucessivos recordes na formação de pesquisadores.
O número de doutores diplomados cresceu de 554, em 1981, para cerca de 12 mil, no ano passado. “É pouco, mas, se você analisar esse dado em perspectiva, verá o tamanho do avanço”, diz o oficial de Ciência e Tecnologia da Unesco no Brasil, Ary Mergulhão. “É um momento excelente, só que é preciso investir, elevando de 1% para 3% o porcentual do PIB aplicado em P&D.” Para ele, a vinda dos laboratórios mostra que a pesquisa no País atingiu reconhecimento “razoável”. “O problema é que ela não se traduz em patentes. O caminho mais curto para melhorar isso é colocar engenheiros e doutores nas empresas.”
Fonte: Relatório Unesco sobre Ciência 2010
O governo admite que a taxa de inovação nas empresas é “tímida”. “Um número inexpressivo de pesquisadores atua em empresas. Falta cultura de inovação no ambiente empresarial e há pouca articulação das políticas industrial e de ciência e tecnologia, apesar dos esforços recentes”, diz Ronaldo Mota, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Espaço. O pré-sal pode ajudar a mudar essa realidade, como mostra o câmpus da UFRJ na Ilha do Fundão, polo da corrida tecnológica para exploração de petróleo em águas ultraprofundas. A procura por espaço foi tão grande nos últimos dois anos que só restam três terrenos livres. Estima-se que serão gerados no local 4 mil empregos até 2014, quando os novos polos de pesquisa devem estar prontos.
A francesa Schlumberger foi a primeira múlti a inaugurar um centro no Fundão, em novembro. Também anunciaram investimentos lá as americanas FMC Technologies, Baker Hughes e Halliburton. A espanhola Repsol está construindo um laboratório para investigação em petróleo e gás. A GE vai erguer, no parque, seu quinto Centro de Pesquisas Global. Fará pesquisas sobre combustíveis fósseis, mas também energias renováveis, mineração, transporte ferroviário e aviação.
Segundo o diretor executivo do parque, Maurício Guedes, as empresas que querem se instalar no Fundão passam por uma avaliação da universidade. “É fundamental que elas estabeleçam cooperação com grupos de pesquisa da UFRJ”, explica. “Empresas não procuram só engenheiros e doutores, mas também estudantes para ser estagiários em grupos de pesquisa.”
Guedes acredita que a chegada das múltis vai beneficiar também os cursos da área de humanas. “A UFRJ não vai mudar seu perfil, focar mais nas ciências exatas, mas vai se fortalecer como um todo. Cursos como Música e Artes, por exemplo, poderão ser incentivados por meio de patrocínios.”
A Petrobrás é a grande responsável por tanto investimento na UFRJ. Desembolsou R$ 1,2 bilhão para aumentar de 180 mil para 300 mil metros quadrados o tamanho de seu polo tecnológico no Fundão. A nova estrutura do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes), inaugurada em outubro, tem cerca de 1.600 profissionais trabalhando na área de P&D e engenharia de projetos inovadores. O número de laboratórios passou de 137 para aproximadamente 200.
O gerente executivo do Cenpes, Carlos Tadeu Fraga, compara o momento atual da exploração petrolífera l com o que ocorreu nos anos 1980. Naquela década, marcada pelas bruscas elevações do preço do petróleo, o Brasil investiu para aumentar sua produção interna. “A maior parte das novas tecnologias, naqueles anos, foi desenvolvida no exterior. A diferença é que agora, com o pré-sal, é possível incentivar fornecedores a fazer isso no Brasil.”
Recrutamento. Uma das empresas que mais investirão no Fundão é a GE. As obras do centro devem acabar até fins de 2012, com investimento inicial da ordem de US$ 100 milhões.
O laboratório da GE no Rio será o quinto centro de P&D da empresa no mundo
O laboratório deverá empregar 200 pesquisadores e engenheiros. Segundo o presidente da GE no Brasil, João Geraldo Ferreira, a múlti vai começar a contratar em maio e quer encerrar o ano com 70 cientistas em atividade nas estruturas já prontas. Para recrutá-los, planeja atuar em três frentes: atrair doutorandos antes mesmo que terminem os estudos, selecionar pesquisadores em universidades e órgãos públicos e até repatriar brasileiros.
Em abril, a GE abre um ciclo de palestras em 17 universidades. “Queremos nos aproximar das universidades e, a longo prazo, sugerir mudanças no currículo da graduação para atender a demandas específicas do nosso centro”, diz João Geraldo.
O pré-sal é um dos temas de interesse da IBM, que dividiu seu laboratório entre Rio e São Paulo. A companhia definiu quatro áreas de pesquisa: recursos naturais, dispositivos inteligentes, sistemas humanos (que cuidará, entre outras coisas, de soluções para eventos como Copa e Olimpíada), e sistemas e serviços, cujo objetivo é melhorar a eficiência de todo tipo de serviço, do bancário ao de saúde.
Anunciado em meados do ano passado, o laboratório tem 20 pesquisadores, mas a empresa pretende chegar a 100. Para liderar as áreas, a IBM repatriou brasileiros de seus centros no exterior. É o caso do geólogo Ulisses Mello, de 52, cuja equipe já trabalha, por exemplo, com a prefeitura do Rio para melhorar a precisão geográfica da previsão do tempo. Hoje a resolução é de 18 quilômetros quadrados. A meta é baixar para 2 ou 3 km². Assim, em vez de dizer genericamente que vai chover na zona sul, será possível especificar o bairro afetado e tomar medidas preventivas. “Talvez no futuro a gente consiga desenvolver algoritmos usando radar, sensoriamento remoto, para prever com antecedência de 48 horas chuvas ou risco de deslizamento.”
O engenheiro Sergio Borger, de 45, é outro repatriado. Está animado com as possibilidades criadas por eventos como a Copa. “Queremos fazer experimentos em estádios para ver como fornecer serviços de melhor qualidade.” Um dos focos é segurança. A IBM tem softwares que permitem identificar em vídeo pessoas específicas no meio da torcida. “Mas não é só isso. O ingresso pode ser a informação biométrica do seu rosto, por exemplo: pessoal e intransferível.”
Perfil. O matemático Claudio Pinhanez, de 47, que voltou ao Brasil em 2008 para ajudar a montar o centro da IBM, ficou surpreso com a qualidade dos currículos recebidos, mas defende ajustes nos programas de doutorado. “O importante é trabalhar com universidade e governo para formar doutores com perfil voltado para a indústria. Tem gente com essa característica que hoje não se sente atraída pelo doutorado, que diz: ‘Não quero dar aula.’”
As parcerias com universidades pesaram na opção da americana DuPont por Paulínia (SP) como sede do seu Centro de Tecnologia e Inovação, inaugurado em 2009 – USP, Unicamp e Unesp estão num raio de 180 km do laboratório. Vinte pesquisadores trabalham no CTI. Eles buscam promover inovação e gerar patentes nas áreas de polímeros, blindagens e biotecnologia.
Natália Barros, de 26 anos, começou na empresa como estagiária, durante a graduação em Engenharia Química nas Faculdades Oswaldo Cruz. Foi estimulada pela DuPont a entrar no mestrado – já iniciado, na Unicamp. “O tema da dissertação é ligado ao que faço aqui. Assim, agrego valor ao mestrado e contribuo com a pesquisa da empresa”, afirma Natália, que desenvolve embalagens para alimentos. “O sonho de todo pesquisador é que sua ideia seja comprada por uma empresa e aplicada.”
Natália Barros, mestranda e engenheira da DuPont
Aos 22 anos, o engenheiro químico Luiz Biazzi, recém-formado pela USP, já conseguiu realizar esse sonho. Está empolgado por ter seu nome no depósito da primeira patente desenvolvida integralmente no CTI – uma descoberta para o mercado sucroalcooleiro. “O trabalho na ciência é muito difícil. Há muita incerteza, pois você não sabe se vai der certo sua pesquisa”, diz.
Luiz Biazi, engenheiro da DuPont: 'Quando os papéis da demanda de patente chegaram para eu assinar, fiquei muito orgulhoso'
Segunda maior empresa do Brasil, a Vale está criando centros de P&D para pensar como será a “mineração do futuro”. Vai instalar laboratórios em Ouro Preto (MG), Belém (PA) e São José dos Campos (SP), cada um focado em uma área: mineração, desenvolvimento sustentável e energia, respectivamente. Quer mudar o perfil de sua pesquisa, concentrada em atender a demandas imediatas das minas, como analisar o perfil do solo de um depósito de minérios.
MIT. Quem está por trás da iniciativa é o ex-pró-reitor de Graduação da Unifesp, Luiz Eugênio Araújo de Moraes Mello, chamado em 2009 para dirigir o Instituto Tecnológico Vale. Para administrar as unidades, escolheu profissionais com doutorado no exterior. “A pesquisa a longo prazo envolve risco muito maior e não é possível ser feita nas estruturas atuais da Vale”, diz Mello, que pretende montar cursos de pós nos novos centros, para qualificar a mão de obra da própria empresa. Enquanto não vem a aprovação da Capes, faz convênios com universidades do Brasil e do exterior, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT). “Sou ambicioso.”
Noutra frente, a Vale tem feito parcerias com as Fundações de Amparo à Pesquisa de São Paulo, Minas e Pará para apoiar projetos com bolsas. Um dos beneficiados é o aluno do doutorado em Engenharia Elétrica na Federal do Pará Marcos Seruffo, de 27, que investiga diferentes formas de comunicação de dados em ambientes industriais – ou seja, vai aplicar o que desenvolveu em laboratório no mundo real das minas de bauxita.
“Os resultados que obtenho são da Vale, pois ela é a fonte financiadora. Só podem ser utilizados com finalidade científica”, diz Marcos, que pretende perpetuar a parceria. “Ainda não sei o que vai acontecer depois do doutorado. Mas sei que farei parte de um pequeno contingente da população bastante assediado, tanto pela academia quanto pelas indústrias.”
Fonte: Estadão
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quinta-feira, 31 de março de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
IPO do LinkedIn será termômetro de bolha no setor
Para diretor de portfolio da Ideiasnet, investidores continuarão buscando investimentos de internet no Brasil em 2011.
A rede social voltada a contatos profissionais LinkedIn encerrou as especulações e entrou com pedido para abrir capital. Para muitos, a primeira de uma fila que conta com Facebook e Groupon na sequência.
Trata-se de um combustível adicional para o debate sobre uma eventual nova bolha de tecnologia na Bolsa de Nova York.
Há mais de 15 anos atuando como investidor focado em empresas embrionárias de tecnologia nos Estados Unidos e no Brasil, Michael Nicklas entende que a operação pode sinalizar se a indústria passa por uma euforia exagerada.
Particularmente, ele não acredita ser esse o caso desta vez. "O LinkedIn é um negócio sólido, com nichos de receitas diversificados, gera lucro e tem um histórico de crescimento impressionante", disse Nicklas, que se tornou neste ano diretor de portfolio da brasileira Ideiasnet.
Confira a seguir trechos da conversa tida com o Brasil Econômico:
A abertura de capital do LinkedIn é a primeira de uma série de IPOs de empresas da web 2.0 nos EUA?
Desde a crise em 2008, o mercado financeiro tem sido pouco receptivo a novas ofertas públicas de capital gerando assim um acúmulo de demanda.
As seguintes empresas, na minha opinião, seriam candidatos fortes: Zynga, Facebook, GroupON, Zillow, Glam Media, Gilt Group, Skype, Associated Content e BrightCove.
Importante também lembrar que a Demand Media e a Nielsen lançaram IPOs recentemente que foram bem recebidos.
O resultado da oferta de ações do LinkedIn pode mostrar a existência de uma bolha no setor?
Na minha opinião, o LinkedIn é um negócio sólido, com nichos de receitas diversificados, gera lucro e tem um histórico de crescimento impressionante.
Tem uma posição forte perante os concorrentes dada a natureza de "Winner Takes All" ("O Vencedor Leva Tudo", termo designado quando a empresa está estabelecida em um setor no qual é muito difícil um novo concorrente entrar) do segmento onde ela atua. Se todos já estão em uma rede de negócios, por que entrar em outra?
Por essas razões creio que o LinkedIn pode comandar fundamentos fortes na bolsa. Porém múltiplos muito acima da média do setor poderão sinalizar uma tendência de bolha no mercado.
Outro indicador de bolha seria companhias sem faturamento tentando abrir capital. Por enquanto não é o caso.
Como as empresas startups do Brasil ficam nesse movimento?
As empresas startups no Brasil já vinham aproveitando o bom momento macroeconômico do país que tem chamado a atenção de investidores estrangeiros.
Creio que investidores, tantos nacionais como estrangeiros, continuarão buscando investimentos de internet no Brasil em 2011.
Vimos várias vendas de startups brasileiras recentemente, por exemplo duas do portfolio da Ideiasnet: a NetMovies que foi vendida em dezembro para a Tiger Global de Nova York e a MediaFactory que foi comprada pela holding francesa, LeadMedia, da Truffle Capital.
Fonte: Brasil Econômico
A rede social voltada a contatos profissionais LinkedIn encerrou as especulações e entrou com pedido para abrir capital. Para muitos, a primeira de uma fila que conta com Facebook e Groupon na sequência.
Trata-se de um combustível adicional para o debate sobre uma eventual nova bolha de tecnologia na Bolsa de Nova York.
Há mais de 15 anos atuando como investidor focado em empresas embrionárias de tecnologia nos Estados Unidos e no Brasil, Michael Nicklas entende que a operação pode sinalizar se a indústria passa por uma euforia exagerada.
Particularmente, ele não acredita ser esse o caso desta vez. "O LinkedIn é um negócio sólido, com nichos de receitas diversificados, gera lucro e tem um histórico de crescimento impressionante", disse Nicklas, que se tornou neste ano diretor de portfolio da brasileira Ideiasnet.
Confira a seguir trechos da conversa tida com o Brasil Econômico:
A abertura de capital do LinkedIn é a primeira de uma série de IPOs de empresas da web 2.0 nos EUA?
Desde a crise em 2008, o mercado financeiro tem sido pouco receptivo a novas ofertas públicas de capital gerando assim um acúmulo de demanda.
As seguintes empresas, na minha opinião, seriam candidatos fortes: Zynga, Facebook, GroupON, Zillow, Glam Media, Gilt Group, Skype, Associated Content e BrightCove.
Importante também lembrar que a Demand Media e a Nielsen lançaram IPOs recentemente que foram bem recebidos.
O resultado da oferta de ações do LinkedIn pode mostrar a existência de uma bolha no setor?
Na minha opinião, o LinkedIn é um negócio sólido, com nichos de receitas diversificados, gera lucro e tem um histórico de crescimento impressionante.
Tem uma posição forte perante os concorrentes dada a natureza de "Winner Takes All" ("O Vencedor Leva Tudo", termo designado quando a empresa está estabelecida em um setor no qual é muito difícil um novo concorrente entrar) do segmento onde ela atua. Se todos já estão em uma rede de negócios, por que entrar em outra?
Por essas razões creio que o LinkedIn pode comandar fundamentos fortes na bolsa. Porém múltiplos muito acima da média do setor poderão sinalizar uma tendência de bolha no mercado.
Outro indicador de bolha seria companhias sem faturamento tentando abrir capital. Por enquanto não é o caso.
Como as empresas startups do Brasil ficam nesse movimento?
As empresas startups no Brasil já vinham aproveitando o bom momento macroeconômico do país que tem chamado a atenção de investidores estrangeiros.
Creio que investidores, tantos nacionais como estrangeiros, continuarão buscando investimentos de internet no Brasil em 2011.
Vimos várias vendas de startups brasileiras recentemente, por exemplo duas do portfolio da Ideiasnet: a NetMovies que foi vendida em dezembro para a Tiger Global de Nova York e a MediaFactory que foi comprada pela holding francesa, LeadMedia, da Truffle Capital.
Fonte: Brasil Econômico
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Aumenta disputa por capital de risco em TI
Há muitos caminhos para crescer e a Navita não está sozinha na trilha escolhida por seus executivos. Especializada em sistemas para portais empresariais e aplicativos para celulares inteligentes, a companhia acaba de receber um aporte financeiro de R$ 2,5 milhões do fundo Invest Tech. Com os recursos, pretende ampliar a participação no mercado externo e elevar o faturamento em 120% já neste ano. "Acelerar o processo de crescimento dessa forma só seria possível com aquisições ou aporte de capital", afirma Roberto Dariva, diretor-executivo da companhia. Para obter os recursos, a empresa teve de aprimorar a gestão e tornar-se uma sociedade anônima.
O caso ilustra o que vem ocorrendo com frequência cada vez maior no mercado brasileiro de tecnologia da informação (TI). O aumento do número de empresas no setor acirrou a disputa por recursos financeiros. Entre os fundos de investimento privados, é comum avaliar pelo menos cem empresas para cada aporte aprovado. A disputa por recursos públicos, como subvenções e financiamentos, não é mais concorrida. O nível de exigência dos investidores aumentou, mas a boa notícia é que as empresas elevaram o grau de qualidade dos seus projetos, segundo relato dos próprios investidores.
Em função da demanda crescente e da disponibilidade orçamentária, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) elevou neste ano os recursos para fundos de capital de risco focados em TI para R$ 200 milhões. No ano passado, foram executados R$ 60 milhões. As opções vão desde fundos voltados para empresas nascentes (capital semente) até aqueles destinados a empresas consolidadas, que buscam recursos para financiar a produção, fortalecer as áreas de vendas e marketing, ou abrir capital. Além do aporte direto, a instituição capta recursos para essas carteiras entre fundos de pensão e investidores institucionais.
A Finep ainda não publicou os editais para seleção de projetos neste ano, mas a busca por subvenção e financiamentos em 2009 dão uma ideia de como será o processo, afirma André Nunes, chefe do departamento de tecnologia da informação e serviços da Finep. No ano passado, o número de pedidos de financiamento (a juros subsidiados) feitos por empresas de TI aumentou seis vezes em relação a 2008. "Parte dessa demanda é efeito da crise, que reprimiu a demanda. Outra parte é decisão das empresas de crescer e se consolidar para concorrer num mercado que se expande com vigor", avalia.
Pelo menos 30% dos pedidos foram feitos pela primeira vez em 2009. A procura por recursos a juros não é a primeira opção das companhias. Elas começam pela subvenção (recursos a fundo perdido) e pela parceria com fundos. A evolução dos pedidos de subvenção também impressiona. A Finep recebeu 1.079 propostas de empresas de TI. No ano anterior, foram avaliados 308 pedidos sob a mesma metodologia. Os recursos disponíveis são de R$ 80 milhões por ano, mas os pedidos em 2009 somaram R$ 2,28 bilhões. "A demanda foi 28 vezes maior do que a oferta disponível", diz Nunes.
A Invest Tech, empresa de investimento criada pelo grupo Perrotti e pela Blackstone Serviços, participou da seleção da Finep de fundos para empresas nascentes de TI. Criado há um ano e meio, a companhia já tinha participação em duas empresas antes de fechar o acordo com a Navita. Neste ano, a Invest Tech planeja investir em mais seis empresas de pequeno porte, com investimentos de até R$ 4,7 milhões por companhia, afirma o sócio-fundador da empresa, Miguel Perrotti. "Há muita procura de empreendedores interessados em ter fundos como sócios e muitos estão conscientes de que é necessário ter uma empresa com gestão transparente. O perfil de gestão das empresas de TI mudou, ficou mais profissional", afirma.
A Navita foi escolhida entre 285 empresas e a avaliação - que inclui projetos de inovação, situação financeira, participação no mercado e potencial de expansão - levou cerca de um ano, observa Perrotti. "A seleção correu em paralelo com outras empresas. Acredito que o anúncio das outras seis será feito em breve", afirma.
A Intel Capital, braço de capital de risco da maior fabricante mundial de chip, investe em oito empresas brasileiras e também planeja ampliar seu portfólio, afirma Fabio de Paula, diretor de investimentos para a América Latina. Em 2006, a companhia anunciou recursos para o Brasil de US$ 50 milhões, que seriam aplicados até 2011. "No ano passado, devido à instabilidade econômica global, ficou difícil concluir novos investimentos, mas neste ano as negociações serão retomadas", afirma o executivo. Os investimentos feitos variam de US$ 200 mil a US$ 10 milhões, mas, em média, a empresa faz aportes de US$ 3 milhões a US$ 4 milhões por empresa no Brasil.
De modo geral, observa o executivo, a oferta de empresas melhorou. "As companhias em estágio inicial eram as que apresentavam mais problemas. Hoje, as incubadoras oferecem apoio a essas empresas", observa. Essa ajuda inicial facilita o processo de maturação dos negócios e os prepara melhor para fases de expansão, internacionalização e abertura de capital, que são o foco da Intel Capital, diz Fabio de Paula.
A Fir Capital, estimulada pelo crescimento do setor de tecnologia, também pretende ampliar as linhas de fundos para empresas no país. Até o ano passado, a gestora operava uma linha de R$ 170 milhões, focada em empresas de médio porte. No fim de 2009, a empresa foi aprovada em uma seleção da Finep para a criação de fundos regionais focados em companhias nascentes. Cada fundo terá recursos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões e será administrado em parceria com gestores locais. O capital investido ficará entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões.
A Fir Capital também planeja lançar neste semestre um fundo de R$ 250 milhões voltado a empresas consolidadas, com projetos de exportação. As empresas de tecnologia serão o foco. "O investimento será feito em companhias de inovação e com projetos de crescimento acelerado", diz Marcus Regueira, sócio-fundador da gestora.
Atualmente, a Fir Capital detém participações em quatro empresas de TI; dois desses investimentos foram feitos no ano passado. Regueira diz não ter ainda uma previsão do número de negócios que pretende fechar neste ano, mas afirma que as negociações já estão em andamento. "O setor possui muitos nichos carentes de consolidação e é para esses segmentos, com grande potencial de expansão, que olhamos", diz.
Para Caio Ramalho, professor do Centro de Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o aumento da oferta de recursos de fundos de investimento é resultado da retomada do crescimento econômico e da melhoria na gestão das empresas.
O retorno do investimento nas empresas de TI vem se mostrando um dos mais rentáveis. Estudo realizado pela FGV revela que a maior parte dos negócios são fechados por fundos de venture capital, cujo investimento médio por empresa é relativamente baixo, por volta de US$ 1,2 milhão. O valor médio das operações de saída (desinvestimentos) é de US$ 35 milhões. Segundo o levantamento, o setor de informática e eletrônica constitui a maior parcela no portfólio das gestoras de fundos (22% do total). O retorno obtido pelos fundos privados é maior que o dos públicos. Esses investem, em média, US$ 2 milhões e têm retorno de US$ 25 milhões.
A Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCap) não possui dados consolidados sobre os investimentos feitos por fundos na área de TI em 2009, nem estimativa para 2010. Sidney Chameh, vice-presidente da entidade, diz, porém, que as negociações no setor devem crescer acima do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, impulsionadas sobretudo pelos projetos para atender a demanda da Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, ambas no Brasil.
Fonte: Valor Online
O caso ilustra o que vem ocorrendo com frequência cada vez maior no mercado brasileiro de tecnologia da informação (TI). O aumento do número de empresas no setor acirrou a disputa por recursos financeiros. Entre os fundos de investimento privados, é comum avaliar pelo menos cem empresas para cada aporte aprovado. A disputa por recursos públicos, como subvenções e financiamentos, não é mais concorrida. O nível de exigência dos investidores aumentou, mas a boa notícia é que as empresas elevaram o grau de qualidade dos seus projetos, segundo relato dos próprios investidores.
Em função da demanda crescente e da disponibilidade orçamentária, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) elevou neste ano os recursos para fundos de capital de risco focados em TI para R$ 200 milhões. No ano passado, foram executados R$ 60 milhões. As opções vão desde fundos voltados para empresas nascentes (capital semente) até aqueles destinados a empresas consolidadas, que buscam recursos para financiar a produção, fortalecer as áreas de vendas e marketing, ou abrir capital. Além do aporte direto, a instituição capta recursos para essas carteiras entre fundos de pensão e investidores institucionais.
A Finep ainda não publicou os editais para seleção de projetos neste ano, mas a busca por subvenção e financiamentos em 2009 dão uma ideia de como será o processo, afirma André Nunes, chefe do departamento de tecnologia da informação e serviços da Finep. No ano passado, o número de pedidos de financiamento (a juros subsidiados) feitos por empresas de TI aumentou seis vezes em relação a 2008. "Parte dessa demanda é efeito da crise, que reprimiu a demanda. Outra parte é decisão das empresas de crescer e se consolidar para concorrer num mercado que se expande com vigor", avalia.
Pelo menos 30% dos pedidos foram feitos pela primeira vez em 2009. A procura por recursos a juros não é a primeira opção das companhias. Elas começam pela subvenção (recursos a fundo perdido) e pela parceria com fundos. A evolução dos pedidos de subvenção também impressiona. A Finep recebeu 1.079 propostas de empresas de TI. No ano anterior, foram avaliados 308 pedidos sob a mesma metodologia. Os recursos disponíveis são de R$ 80 milhões por ano, mas os pedidos em 2009 somaram R$ 2,28 bilhões. "A demanda foi 28 vezes maior do que a oferta disponível", diz Nunes.
A Invest Tech, empresa de investimento criada pelo grupo Perrotti e pela Blackstone Serviços, participou da seleção da Finep de fundos para empresas nascentes de TI. Criado há um ano e meio, a companhia já tinha participação em duas empresas antes de fechar o acordo com a Navita. Neste ano, a Invest Tech planeja investir em mais seis empresas de pequeno porte, com investimentos de até R$ 4,7 milhões por companhia, afirma o sócio-fundador da empresa, Miguel Perrotti. "Há muita procura de empreendedores interessados em ter fundos como sócios e muitos estão conscientes de que é necessário ter uma empresa com gestão transparente. O perfil de gestão das empresas de TI mudou, ficou mais profissional", afirma.
A Navita foi escolhida entre 285 empresas e a avaliação - que inclui projetos de inovação, situação financeira, participação no mercado e potencial de expansão - levou cerca de um ano, observa Perrotti. "A seleção correu em paralelo com outras empresas. Acredito que o anúncio das outras seis será feito em breve", afirma.
A Intel Capital, braço de capital de risco da maior fabricante mundial de chip, investe em oito empresas brasileiras e também planeja ampliar seu portfólio, afirma Fabio de Paula, diretor de investimentos para a América Latina. Em 2006, a companhia anunciou recursos para o Brasil de US$ 50 milhões, que seriam aplicados até 2011. "No ano passado, devido à instabilidade econômica global, ficou difícil concluir novos investimentos, mas neste ano as negociações serão retomadas", afirma o executivo. Os investimentos feitos variam de US$ 200 mil a US$ 10 milhões, mas, em média, a empresa faz aportes de US$ 3 milhões a US$ 4 milhões por empresa no Brasil.
De modo geral, observa o executivo, a oferta de empresas melhorou. "As companhias em estágio inicial eram as que apresentavam mais problemas. Hoje, as incubadoras oferecem apoio a essas empresas", observa. Essa ajuda inicial facilita o processo de maturação dos negócios e os prepara melhor para fases de expansão, internacionalização e abertura de capital, que são o foco da Intel Capital, diz Fabio de Paula.
A Fir Capital, estimulada pelo crescimento do setor de tecnologia, também pretende ampliar as linhas de fundos para empresas no país. Até o ano passado, a gestora operava uma linha de R$ 170 milhões, focada em empresas de médio porte. No fim de 2009, a empresa foi aprovada em uma seleção da Finep para a criação de fundos regionais focados em companhias nascentes. Cada fundo terá recursos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões e será administrado em parceria com gestores locais. O capital investido ficará entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões.
A Fir Capital também planeja lançar neste semestre um fundo de R$ 250 milhões voltado a empresas consolidadas, com projetos de exportação. As empresas de tecnologia serão o foco. "O investimento será feito em companhias de inovação e com projetos de crescimento acelerado", diz Marcus Regueira, sócio-fundador da gestora.
Atualmente, a Fir Capital detém participações em quatro empresas de TI; dois desses investimentos foram feitos no ano passado. Regueira diz não ter ainda uma previsão do número de negócios que pretende fechar neste ano, mas afirma que as negociações já estão em andamento. "O setor possui muitos nichos carentes de consolidação e é para esses segmentos, com grande potencial de expansão, que olhamos", diz.
Para Caio Ramalho, professor do Centro de Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o aumento da oferta de recursos de fundos de investimento é resultado da retomada do crescimento econômico e da melhoria na gestão das empresas.
O retorno do investimento nas empresas de TI vem se mostrando um dos mais rentáveis. Estudo realizado pela FGV revela que a maior parte dos negócios são fechados por fundos de venture capital, cujo investimento médio por empresa é relativamente baixo, por volta de US$ 1,2 milhão. O valor médio das operações de saída (desinvestimentos) é de US$ 35 milhões. Segundo o levantamento, o setor de informática e eletrônica constitui a maior parcela no portfólio das gestoras de fundos (22% do total). O retorno obtido pelos fundos privados é maior que o dos públicos. Esses investem, em média, US$ 2 milhões e têm retorno de US$ 25 milhões.
A Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCap) não possui dados consolidados sobre os investimentos feitos por fundos na área de TI em 2009, nem estimativa para 2010. Sidney Chameh, vice-presidente da entidade, diz, porém, que as negociações no setor devem crescer acima do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, impulsionadas sobretudo pelos projetos para atender a demanda da Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, ambas no Brasil.
Fonte: Valor Online
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Tecnologia na SPFW

Realidade aumentada, look com votação na internet e câmera que mostra os bastidores são algumas das novidades da 28ª edição do maior evento de moda do Brasil.
Interatividade é a aposta da São Paulo Fashion Week (SPFW), o maior evento de moda do Brasil, que começa hoje (17/01). No pavilhão da Bienal do Ibirapuera, zona sul da capital paulista, os visitantes podem experimentar diferentes tipos e cores de cabelo, escolher roupas e acessórios de mais de 30 marcas e ainda contar com a opinião do internauta sobre seu look.
Para os mais curiosos, é possível espiar o que está acontecendo nos bastidores dos camarins (backstage) e ver as top models antes de entrar na passarela. Tudo em tempo real. Quem estiver em casa ou no trabalho, pode criar um avatar, acompanhar as imagens transmitidas pela rede e enviar mensagens ao público, sem sair da frente do computador.
Leia mais: As dez modelos mais ricas do mundo
"O evento é uma grande exposição onde as pessoas poderão interferir e fazer convergências entre palavras e símbolos", afirmou Paulo Borges, responsável pela organização da semana da moda, em comunicado.
Uma das novidades que vai proporcionar essa interação conta com a ajuda da tecnologia conhecida como realidade aumentada. O sistema, que mistura imagens reais com virtuais, faz parte do projeto que permite ao usuário trocar a cor e o tipo de cabelo. Para isso, o visitante da SPFW que deseja experimentar um novo corte precisa se posicionar em frente à TV de plasma de 42 polegadas e olhar para microcâmera, instalada bem acima do aparelho.
Em seguida, basta tocar na TV, que dispõe de tecnologia touchscreen, para eleger o novo visual entre 10 tipos de cabelos (curto, longo, cacheado, entre outros) e três cores diferentes. Assim, a imagem escolhida em 3D será sobreposta ao cabelo do usuário.
“Usamos uma tecnologia inovadora. Com ela, os cabelos 3D acompanham o movimento do rosto”, afirma Roberto Grosman, sócio e diretor de mídia da Fbiz, agência de interatividade, criadora do projeto que contou com o desenvolvimento da empresa Eyemotion, especializada em holografia e realidade aumentada.
Vale ressaltar que os movimentos do cabelo, mesmo em 3D, ainda estão distantes dos da vida real. “Ainda estamos evoluindo. Ao menos, está longe dos projetos que, há tempos atrás, mais se pareciam como uma foto da pessoa. Eram totalmente estáticos.”
Monte seu look com ajuda dos internautas
Quem que roupa eu vou
Após aprovar o novo cabelo, o usuário pode escolher a melhor combinação entre roupa, calçado e acessório. Não é uma tarefa fácil no dia a dia, imagine com 450.000 peças virtuais? O projeto de montar o seu look foi desenvolvido pela byMK, uma rede social especializada em moda. Em frente à TV de plasma de 42 polegadas, também com tecnologia touchscreen, o usuário toca nos itens que deseja escolher: calça, vestido, camiseta, bolsas e calçados de mais de 30 marcas. O grau de dificuldade aumenta com as diferentes palhetas de cores. “Arrastando o item para o lado, o usuário pode se transformar em um editor de moda e, messe projeto, terá a opinião do internauta”, afirma Flávio Pripas, sócio da byMK.
Ao finalizar os looks, a produção vai direto para a rede da byMK e para o hot site da Seda, uma das patrocinadoras oficiais da SPFW e desses projetos de interatividade. Ao entrar nessas páginas, o internauta pode opinar sobre as combinações. “O bacana é que a interação vem de todos os lados. Mesmo quem está em casa não fica de fora”, afirma Erik Galardi, diretor de marketing da área de cabelos da Unilever.
Espie à vontade
Em cada andar da Bienal, há um painel com tecnologia LED e uma câmera, que transmitirá imagens ao vivo do backstage. Ao olhar por um buraco semelhante a um olho mágico, os visitantes podem ter uma noção da correria que antecede os desfiles e a comemoração após a passarela.
A espiadinha também pode ser pela internet. Na frente do computador, os internautas poderão ver as imagens e interagir com as pessoas que estiverem na Bienal. Ao acessar o site criado especialmente para o evento - hospedado na página eletrônica da C&A, uma das patrocinadoras oficiais do evento -, o usuário poderá selecionar entre os seis avatares, personagens que também poderão escolher suas roupas, para representá-lo virtualmente na SPFW. O avatar aparecerá então em telões no evento e o internauta, acompanhando as imagens transmitidas pela rede, poderá enviar mensagens ao público, que aparecerão em forma de balões de diálogo, em tempo real. "Hoje em dia, quem não está conectado e não interage, está fora de moda", afirma Galardi.
Fonte: Época Negócios
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domingo, 17 de janeiro de 2010
O Kindle Brasileiro

Empresa do Recife desenvolve primeiro leitor de livros eletrônicos do País para concorrer com equipamento da Amazon
Terra de Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Gilberto Freyre e muitos outros grandes escritores, Pernambuco está prestes a iniciar uma nova fase na literatura nacional. É de lá, mais precisamente de Recife, que será lançado o primeiro leitor de livro eletrônico (e-book) desenvolvido no Brasil. A empresa responsável pela criação do equipamento é a Mix Tecnologia. Em parceria com a editora Carpe Diem, também sediada na capital pernambucana, ela investiu R$ 1 milhão no projeto do Mix Leitor-D, que será lançado no primeiro semestre de 2010. O objetivo é competir no mercado nacional com o consagrado Kindle, da varejista virtual americana Amazon, e outros equipamentos similares de empresas como Sony e Fujitsu. A meta é atingir a marca de 150 mil equipamentos vendidos por ano.
O livro eletrônico, que usa uma tela que reduz a luminosidade e facilita a leitura, passa por um momento favorável no mercado. Segundo estimativas da empresa de investimentos Cowen & Co., desde que foi lançado, em 2007, foram comercializadas 2,5 milhões de unidades do Kindle. Na onda desse sucesso, a livraria americana Barnes & Noble também desenvolveu seu leitor de livros eletrônicos. E a Apple planeja lançar, em março, um equipamento que está sendo considerado o grande rival do Kindle.
Qual será, então, o diferencial, do Kindle brasileiro para competir com essas empresas internacionais? O Mix Leitor-D foi desenvolvido para ser, além de um livro eletrônico, uma plataforma educacional. A companhia criou e patenteou um sistema de perguntas e respostas automatizadas conforme o assunto do texto que está sendo lido. O programa busca questões em bancos de dados e gera exercícios sem a necessidade da orientação dos professores. Ele também pode ser adaptado à necessidade da instituição de ensino. A Mix prepara para março o primeiro lote do produto. A companhia está também em fase adiantada de negociação com três grandes grupos interessados em comprar parte ou a totalidade da empresa formada por três colegas da faculdade em 2004. Um deles é Murilo Marinho, diretor de novos negócios, que não revela os nomes dos investidores, que entrariam como sócios para acelerar os negócios da pequena empresa, cujo faturamento atingiu R$ 2,5 milhões em 2009.
Segundo Marinho, a Mix tem recebido diversos pedidos, por e-mail ou telefone, de pessoas querendo comprar o leitor eletrônico. “O telefone não para de tocar”, diz. De acordo com o presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), Vitor Tavares, o livro eletrônico deve transformar o mercado antes do que se imagina. “Acredito que em três ou quatro anos.” Caso se confirme a máxima do escritor Euclides da Cunha, autor de “Os Sertões”, de que o “sertanejo é, antes de tudo, um forte”, o Kindle brasileiro tem chance de vingar entre os concorrentes internacionais.
Fonte: IstoéDinheiro
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