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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Itaú Unibanco economiza R$ 1,5 milhão por ano com virtualização

Instituição consolidou 1100 servidores em apenas 70 máquinas e conseguiu reduzir consumo de energia, aumentar a disponibilidade e acelerar os processos de migração.

No sétimo andar do CTO (Centro Tecnológico de Operações) do Itaú Unibanco, que fica no bairro paulistano da Moóca, estão os quatro mil servidores responsáveis por rodar os sistemas de 3.715 agências, 934 postos de atendimento e 29.979 caixas eletrônicos que atendem aos 19 milhões de clientes da instituição. Estas quatro mil máquinas ocupam uma área total de 1000 metros quadrados, mas precisariam de um espaço maior, se 1100 não estivessem virtualizadas em apenas 70 servidores.

Como o próprio nome já diz, a virtualização é a tecnologia que permite transformar servidores reais em virtuais. Grosso modo, ela funciona por meio de um software que faz de conta que é hardware. Dessa forma, no mesmo disco rígido é possível criar uma ou mais máquinas com sistemas operacionais diferentes, configurações diversas e rodando programas totalmente distintos.

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Com investimento anual em TI (Tecnologia da Informação) na faixa de R$ 3,2 bilhões (segundo ranking As Empresas Mais High Tech, de Época NEGÓCIOS), o Itaú Unibanco investiu R$ 6,5 milhões num período de 2,5 anos somente na virtualização do data center. O valor inclui compra de hardware e software, consultoria e treinamento de pessoal.

Em contrapartida, o banco terá uma economia anual de R$ 1,5 milhão, especialmente no consumo de energia elétrica. “Além de os novos servidores serem mais eficientes, o número a menos de CPUs diminuiu a demanda por refrigeração e os custos com manutenção de hardware”, diz João Bezerra Leite, diretor de infraestrutura e operações de TI do Itaú Unibanco.

A economia de quilowatts e de reais não atrai somente o maior banco privado do país. Segundo estudo do instituto de pesquisas em tecnologia Gartner, a venda de software para virtualização irá crescer 43% este ano, subindo de um patamar de US$ 1,9 bilhão em 2008, para US$ 2,7 bilhões em 2009.

Antes e depois
A tecnologia permite ainda um ganho significativo de tempo. Antes da virtualização, para instalar um novo servidor, era necessário abrir um projeto na área de TI, colocar um rack novo no data center, acertar a parte elétrica e de rede, colocar a máquina para rodar com sistema operacional e storage e, por fim, criar uma máquina reserva para os casos imprevistos, no centro de recuperação de desastres, localizado em Campinas. “Era um processo que levava até 15 dias”, diz Leite.

Hoje, para as máquinas virtuais, três horas são suficientes para a instalação. É necessário apenas gerar a imagem padrão, instalar a aplicação e configurar em quais pontos da rede a máquina virtual estará conectada.

Outra vantagem para a TI do banco é a alta disponibilidade das aplicações. Quando uma máquina virtual apresenta algum defeito, o processamento é transferido para outro servidor. “Com a virtualização, o Itaú Unibanco estará preparado para as demandas dos próximos dez anos, mesmo considerando os planos de expansão internacional”, diz Oscar Clarke, gerente-geral da Intel no Brasil.

Nem todas as aplicações do banco rodam em máquinas virtuais. Mas a escolha não foi aleatória. O Itaú Unibanco teve a consultoria da Intel. Especialistas internacionais da fabricante de processadores vieram ao Brasil para fazer um diagnóstico do data center do banco e traçar algumas sugestões para aumentar a disponibilidade dos sistemas. O resultado do trabalho gerou uma lista com 50 recomendações, que foi avaliada pela área de TI da instituição. “Nós já tínhamos algumas estratégias prontas e a consultoria nos deu a certeza de alguns caminhos”, afirma Bezerra.

A caminho das nuvens
Concluída a primeira fase da criação das máquinas virtuais, o Itaú Unibanco inicia o próximo passo. “Queremos nos preparar para quando a computação em nuvem for um sistema confiável para as empresas”, revela Bezerra.

Segundo ele, hoje o banco já tem uma infraestrutura que pode ser considerada uma computação em nuvem privada, restrita somente à rede interna. Nesse sistema, é possível distribuir as aplicações de acordo com a capacidade das máquinas. Se uma máquina estiver sobrecarregada, seu trabalho pode ser dividido com outras que estejam ociosas.

Fonte: Época Negócios

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Na onda do Twitter

Embalo ou não, o fato é que as redes sociais, como o serviço de "microblogging" Twitter, estão cada vez mais populares no Brasil. No universo financeiro, as corretoras de valores têm se rendido ao fenômeno sob o argumento de ficar mais perto do cliente ou potenciais investidores. Na lista, destacam-se instituições ligadas a bancos e independentes, como Ágora, Itaú, XP, Spinelli, Gradual, Um Investimentos, Socopa e Link, para citar algumas. Entre os principais usos estão desde levar informação e divulgar eventos até mesmo recomendar aplicações.

A internet hoje é um dos principais canais de investimento em ações usados pelo público do varejo. Das quase 556 mil pessoas físicas cadastradas na bolsa em outubro, cerca de 249 mil usaram o "home broker", sistema de negociação on-line. Já o Twitter - uma espécie de servidor na web que permite aos usuários trocar mensagens de textos com até 140 caracteres - foi acessado por 9 milhões de pessoas no Brasil no mês passado, considerando apenas visitas ao site, aponta levantamento do Ibope Nielsen Online, empresa que pesquisa o comportamento dos usuários do meio digital.

Segundo o analista do Ibope, José Calazans, o número de usuários do Twitter em outubro representava 24% do total de internautas do país. Nos Estados Unidos, compara, menos de 10% dos internautas acessaram o microblog no mês passado. "Proporcionalmente, há mais gente navegando no Twitter no Brasil do que em qualquer outro lugar do mundo", afirma.

Pioneira no Twitter, a corretora Spinelli aderiu à ferramenta há cerca de um ano. Na rede, está presente com o InvestBolsa, seu "home broker". Na segunda-feira, por volta das 14 horas - detalhar o instante nesse caso é importante, uma vez que tudo muda muito rapidamente na internet -, ela contava com 3.079 seguidores, o maior número entre as corretoras que aderiram à nova onda. No universo de seguidores, conta Rodrigo Puga, responsável pelo InvestBolsa, estão não só clientes da casa como de instituições concorrentes, além de gente apenas interessada em conhecer mais sobre a bolsa.

No mundo real, contudo, a corretora ocupa o 13 º lugar no ranking dos maiores "home brokers" em volume de negócios e tem uma base de 14.726 clientes pessoa física. Mas se depender da estratégia para mídias sociais da Spinelli, ela tem totais condições de ganhar participação de mercado. A corretora está presente em diversas redes além do Twitter, como Orkut, Facebook e YouTube, com o objetivo de estreitar o relacionamento com investidores. O Twitter, no entanto, tem um atrativo a mais, na opinião de Puga. "Apesar de ser usado principalmente como um veículo de informações, a grande beleza da ferramenta é que ela é aberta e permite interagir com o seguidor em tempo real", diz.

Na Spinelli, há três pessoas dedicadas ao serviço. Segundo Puga, elas respondem perguntas, tiram dúvidas e eventualmente até ajudam a resolver problemas que clientes decidem tornar público no microblog. "Conseguimos melhorar nosso atendimento porque o tempo de resposta, quando há reclamações, diminuiu." Certa vez, conta Puga, um cliente que não estava conseguindo acessar o site da corretora teve seu problema solucionado em pouco tempo graças à troca de mensagens pelo Twitter.

O foco, contudo, é a informação em tempo real. "Temos um Twitter que divulga notícias relevantes com a maior rapidez possível", diz Puga. Fora isso, são postados no microblog relatórios de analistas e recomendações de investimentos. Ele conta que, toda vez que um relatório de análise técnica (foco dos clientes da casa) é divulgado no Twitter, há um aumento no número de pessoas que acessam o site da corretora em busca de mais informações. O número de ordens de compra também tem um pequeno aumento, segundo Puga.

A Ágora é outra que enveredou pelo caminho das redes sociais. A ideia, conta o analista de comunicação da corretora, Ricardo Monteiro, surgiu em maio, com o objetivo de complementar os serviços já oferecidos por meio de canais digitais. "A Ágora é uma empresa de investimentos, mas muito ligada à internet", diz. Segundo Monteiro, o site da corretora é o principal veículo de comunicação com o cliente e o "home broker" da casa, líder de mercado - a corretora conta com 80 mil clientes pessoas físicas. No Twitter, a instituição tinha, na mesma segunda-feira, às 14h, 2.961 seguidores. Quando estreou na rede, em junho, a Ágora tinha como meta chegar a 2 mil usuários até o fim deste ano.

O conteúdo publicado no Twitter, informa Monteiro, é produzido com exclusividade. Há desde notícias até boletins diários com cotações de ações, moedas e índices de mercados, locais e internacionais. "Nosso objetivo no Twitter é levar informação, antes mesmo de atrair novos clientes", afirma. A estratégia vem dando certo, pelo menos em termos de aceitação. Segundo Monteiro, um volume grande de conteúdo publicado pela Ágora é passado para frente pelos seguidores - entre 10 e 15 citações por dia -, o que aumenta a visibilidade da corretora. Além disso, afirma ele, o Twitter tem servido para tirar dúvidas como taxa de corretagem, conta margem, entre outros.

Na corretora do Itaú Unibanco, que contava com 2.805 seguidores no Twitter no início da semana, o objetivo ao aderir à ferramenta foi ampliar as portas de entrada para a corretora. "Nossa proposta é se relacionar com o cliente usando o canal mais conveniente para ele", conta o diretor gerente do banco, Jean Sigrist. O Twitter, destaca o executivo, é uma forma de levar informação de mercado para o cliente de maneira rápida. A aceitação tem sido boa. "Temos registrado um percentual alto, acima de 50%, de repasse de nossas mensagens."

Na XP Investimentos, a estratégia é mais agressiva. Segundo o diretor de marketing da corretora, Bruno De Paoli, o uso do Twitter vai além da informação. "Esse é um canal muito eficiente para distribuir oportunidades de investimento; notícia todo mundo tem", diz. Com 2.505 seguidores acumulados desde junho, a corretora usa a ferramenta também para divulgar seus cursos de educação financeira e fazer promoções. Recentemente, a XP distribuiu calculadoras financeiras para os participantes de um curso divulgados no microblog.

Na Gradual, que contava com 507 seguidores, a principal função do Twitter é dar vazão ao que é publicado no blog da corretora, afirma Fernando Guimarães, responsável pela área de marketing. Isso inclui desde informação até alguma recomendação de compra de ações. "Todo mundo ainda está aprendendo a lidar com todas essas ferramentas e essa é uma tendência à medida que o mercado caminha para as negociações eletrônicas, com o crescimento do 'home broker'."

A Um Investimentos, com 183 seguidores, está começando agora a investir mais fortemente nas mídias sociais. "Estamos revendo nosso modelo de comunicação na internet", afirma o gerente comercial da corretora, Rafael Giovani. Na próxima segunda-feira, a Um vai lançar um blog, que vai alimentar automaticamente todas as outras redes sociais, como Twitter, Orkut, Facebook, entre outros. A ideia, conta Giovani, é usar esses canais para captar clientes. "Nossa disposição é comercial."

Fonte: Valor Online